É, eu acho que somos apenas eu e você. Eu e você esse vasto universo de tristes realidades. Sinto minha imaginação como uma forma plasmática de vida própria que se desenvolve dentro de mim, que se hospede e alguns dias coexiste, outros suga minha vitalidade.

Às vezes sinto seus membros se estendendo pelo meu corpo, tomando meu ar, me impulsionando a fazer coisas que não estão programadas, substituindo meu instinto. Já não sinto-me no controle.

A angústia que sinto pode não ser a solidão de forma alguma, mas sim uma companhia persistente, um passageiro. É uma luta constante entre a minha consciência e minha imaginação. Uma luta por espaço e autonômia. É exaustivo. Gostaria de achar uma saída, mágica, milagrosa e simplesmente silenciar essa narração constante na minha mente. Dia, tarde e noite.

Não sei exatamente em qual momento elas separaram-se e começaram a seguir paralelas, mas juntas, sempre juntas. Como ying-yang, como razão e emoção, como morais e virtudes. Queria descobrir a identidade misteriosa desse passageiro. De qual parte da minha consciência ele emerge.

Eu sei que se ele é fruto de minha consciência e que, por fim, não deixa de ser parte de mim. Mas justamente a sensação de não ser é o mais difícil de lidar. Sinto-me esquisofrênica. Com um cérebro tão complexo e poderoso capaz de criar várias vidas e verdades paralelas e cultiva-las em um único recipiente.

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Nunca entendi o que seguir em frente e abandonar o passado trazem de bom para a vida de alguém. Dentro de meu calabouço mental, apenas encontro a profunda paz quando aderida ao meu passado. Sinto-me segura quando estou próximo daquilo que posso chamar de meu, porque me completa, porque é lindo e digno de amor.

Não ei de flagelar a minha consciência pelos passos largos que dei, pela distância que criei, mas me dói coexistir com a distância e não poder manter ao meu redor todos que afloram o que há de melhor em mim. 

Eu sumi do mundo ou o mundo sumiu de mim? Estou tomada de saudade, mas sei que a culpada sou eu. Recolhi todo o meu amor que estava depositado por ai e me assusta muito pensar que juntei todo o amor que eu poderia sentir para depositar em uma só pessoa. Confesso que mal me acostumei com esse novo jeito de amar que descobrir então não me surpreenderia que talvez eu não soubesse receber esse tipo de amor.
Então me sinto sozinha agora, apesar de saber que quem me ama de verdade e quem nunca negaria a minha volta se eu cometesse algum erro. Nunca.

Dias como estes, em que a realidade me puxa pelas pernas. Que pensamentos de que vou ser sempre sozinha fazem muito sentido. Depois desses meses que passaram, estou desgastada. Não sei ao certo porque eles foram tão difíceis, acho que foi eu ter feito tudo muito cuidadosamente para tentar ser uma pessoa melhor e fazer as escolhas certas. É, vivi meticulosamente.
E tudo isso porque eu conheci alguém que valia a pena e simplesmente fixei em minha mente a crença de que se eu precisava ser uma pessoa melhor para merecer as coisas boas. Só não sei para onde isso me levou e se definitivamente eu sou uma pessoa melhor ou essa decepção final que estou tendo vai ser o suficiente para eu entender que não compensa?
Esse romance me pegou de jeito, me fez bem… eu sei que fez. Talvez tenha me oferecido a possibilidade de conhecer um outro tipo de amor, atualizar o meu conceito, me explicar as tendências. As paixões avassaladoras se tornarão raras e o amor vai surgir do companheirismo.
As lembranças do desenrolar desse sentimento são resumidas em olhares e sorrisos. São tão lindas pra mim. Mas ultimamente tenho me sentido como um inseto em volta da lâmpada.

from childhood’s hour I have not been
as others were; I have not seen
as others saw; I could not bring
my passions from a common spring.
from the same source I have not taken
my sorrow; I could not awaken
my heart to joy at the same tone;
and all I loved, I loved alone.
then- in my childhood, in the dawn
of a most stormy life- was drawn
from every depth of good and ill
the mystery which binds me still:
from the torrent, or the fountain,
from the red cliff of the mountain,
from the sun that round me rolled
in its autumn tint of gold,
from the lightning in the sky
as it passed me flying by,
from the thunder and the storm,
and the cloud that took the form
(when the rest of Heaven was blue)
of a demon in my view.